Entrevista com o curador da Versátil Fernando Brito.

 

Fernando Brito

Por Calil Neto

Conversei com o curador da distribuidora de filmes Versátil, Fernando Brito , para falar sobre filmes de terror. A Versátil, que está de parabéns, tem lançado muitos belíssimos filmes em DVD e Blu-Ray, não somente de terror, que nunca foram lançados no Brasil e são verdadeiras preciosidades.

Calil: Com certeza você é um grande apreciador de filmes de terror ajudando a divulgar com a Versátil com relançamentos de filmes (alguns nunca lançados no Brasil) de Mario Bava, Lucio Fulci, David Cronenberg, box de Zumbis no Cinema, Vampiros no Cinema e muito mais. Sem falar no subgênero italiano giallo. De onde veio o seu gosto pelo gênero terror? Que filmes costumava assistir do gênero terror na sua adolescência na televisão ou em VHS ?

Fernando Brito: Meu gosto pelo terror começou com a literatura e os quadrinhos, com a leitura de obras de Edgar Allan Poe, Nathaniel Hawthorne, H. P. Lovecraft, Stephen King, E. T. A. Hoffmann e “Contos da Cripta”, “Dylan Dog”, etc. Anos mais tarde, já no curso de Letras Inglês na USP, comecei uma longa pesquisa sobre o romance gótico, tema de meu doutorado. Na adolescência, devorei os VHS de “O Exorcista”, “O Bebê de Rosemary”, “O Anticristo”, “A Volta dos Mortos-Vivos”, “It – A Obra-Prima do Medo” e outras adaptações da obra de Stephen King, e por aí vai.

Calil: Por que você acha que o terror atrai tantos fãs pelo Brasil e pelo mundo afora?

Fernando Brito: Desde os contos folclóricos mais antigos nas mais diversas civilizações, o medo e seus efeitos têm sido fonte de inspiração para artistas mundo afora e de atração para o público, que gosta de vivenciar vicariamente sensações extremas. Importante é destacar que o terror serve também como espaço de reflexão sobre questões sociais, psicológicas e culturais que vão muito além do simples e puro entretenimento.

Calil: Os filmes da Versátil de terror, como por exemplo, os da coleção Obras-Primas do Terror, são muito vendidos?

Fernando Brito: A venda é satisfatória, mas poderia ser muito melhor, se o mercado de home video estivesse em outro momento. O problema é a concorrência dos downloads (torrents), do video on demand e da falta de interesse das novas gerações em colecionar mídia física.

Calil: Qual o seu diretor do gênero terror favorito? Por quê?

Fernando Brito: Apesar de uma profunda admiração por John Carpenter, Roger Corman e Jacques Tourneur, o meu diretor favorito do gênero é Mario Bava, o maestro do cinema fantástico. Afinal, ele codirigiu o primeiro filme de horror do cinema italiano desde a era silenciosa (“Os Vampiros”), criou as maiores obras-primas do terror gótico italiano (“A Maldição do Demônio”, “As Três Máscaras do Terror”, “O Ciclo do Pavor”, “O Chicote e o Corpo” e “Lisa e o Diabo”), criou híbridos de peplum e ficção científica com horror com “O Planeta dos Vampiros” e “Hércules no Centro da Terra”, codificou as convenções visuais e o sadismo voyeurístico do giallo com “A Garota Que Sabia Demais”, “O telefone” (episódio de “As Três Máscaras”) e “Seis Mulheres Para o Assassino”, antecipou o slasher com “Banho de Sangue” e realizou um fascinante giallo freudiano com “O Alerta Vermelho da Loucura”.

Calil: Mario Bava também é um dos meus diretores favoritos e me apaixonei pelo seu trabalho como diretor. São filmes belíssimos. Obrigado Fernando pela gentileza em nos atender.

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