Review – Robocop (2014): And the OSCARS goes…. (really?) to José Padilha.

Robocop (2014)

Por Calil Neto

Fui prestigiar no cinema o primeiro trabalho do diretor brasileiro José Padilha (Ônibus 174, Tropa de Elite 1 e 2) no circuito de Hollywood (um dos mais criativos, copiados, e reverenciados no mundo todo). 

Robocop (2014) é um “remake”, uma modernização, ou uma nova releitura do clássico de 1987 dirigido pelo holandês Paul Verhoeven, um clássico e marco da ação-ficção-científica do cinema americano. Robocop (2014) resgata a trilha oficial, o plot básico do filme original, e cria uma nova história, que envolve ação, drama, ficção e um mundo onde as grandes corporações almejam dominar com os drones e as máquinas (ou robôs, seja o que for) o planeta, principalmente os EUA.

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A produção aborda como a trilogia original, o corporativismo das grandes empresas, e no remake de Padilha noto a abordagem do poderio bélico e tecnológico dos EUA e o seu domínio (através da força ou não) sobre o mundo em pleno ano de 2028. É um filme patriota, nacionalista-americano, e que enaltece os EUA em relação ao países do oriente e ao resto do planeta.

É um longa com muita ação, com bons diálogos, menos violência que o original, mas que ainda mexe com o psicológico do espectador, principalmente em relação à crise de identidade que cerca ao policial Alex Murphy, e o amor de Murphy pela sua família após se transformar em uma simples (mas moderna) máquina, interpretado muito bem pelo ator Joel Kinnaman (da série The Killing).

Como não poderíamos deixar de citar, traz um grande elenco, como grandes nomes do cinema, como Michael Keaton (Batman), Samuel L.Jackson (Django Livre) e Gary Oldman (O espião que sabia de mais).

Se você é saudosista e quer ver um (novo) Robocop versão século 21, não perca tempo. Mas não espere uma cópia fiel do clássico de 87, mas sim com roteiro totalmente diferente, mas fiel, e bem mais moderninho, e com outros (e novos personagens).

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Outro motivo para assisti-lo: ter um brasileiro na direção de um blockbuster mundial, que custou mais de 100 milhões de dólares. Não sei se ele (o diretor Padilha) teve interferências internas ou externas (de interesses dos estúdios ou não) durante a realização de seu trabalho, mas realizou um belíssimo trabalho e uma belissima de uma homenagem, de dar orgulho aos brasileiros.

A produção original de 1987 continua intocável e insubstituível. Apesar de muitas críticas, esse remake é um belíssimo entretenimento, com diversão e muita ação.

Nota: 3,0 de 5,0.

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Metrópolis (1927).

Metrópolis (1927)

Por Calil Neto

Assisti em DVD lançado pela Continental Home Vídeo, um clássico do expressionismo alemão, Metrópolis, assim como outras obras primas do mesmo período, como , O Gabinete do Dr. Galigari (1920), de Robert Wiene, Nosferatu Eine Symphonie des Grauens (1922), de Murnau, e M:  O Vampiro de Dusseldorf (1931), do próprio Fritz Lang.

Metrópolis, filme-mudo, com diálogos escritos em tela preta intercalados, foi produzido em 1927 e foi a produção mais cara produzida na época na Europa. Dirigido pelo austríaco Fritz Lang e roteirizado por Thea Von Harbour. O filme é o que sobrou do original de Metrópolis, que são os negativos originais incompletos, e cópias mais curtas e reeditadas das cópias lançadas. Mais de ¼ do filme foi considerado perdido. A versão em DVD combina todos os elementos que restaram e tenta recriar o filme como foi exibido em sua estréia. Algumas partes da trama estão faltando.

O romance Metrópolis, de Thea Von Harbour, apareceu pela primeira vez, na revista Illustrietes Blatt, em Frankfurt, na Alemanha. O livro foi publicado por August Scherl Verlag G.M.b.H.

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O longa é uma ficção científica, que se passa no século XXI, em um mundo dominado pelas máquinas. É um filme que prevê os acontecimentos do mundo moderno atual, onde o Homem braçal briga com a tecnologia das máquinas, e é um ser totalmente dependente delas. Pode ser considerado como uma crítica ao capitalismo e a modernização, assim como foi Tempos Modernos (1936), de Charlie Chaplin.

Será que um dia o Homem será dominado pelas máquinas? Ou já fomos dominados?

Fritz Lang, nasceu em 5 de dezembro de 1890, em Viena, e era filho de uma família rica. Estudou arquitetura e tinha gosto pela pintura. Em 1916, Fritz Lang, escreveu seu primeiro roteiro ao produtor Erich Pommer, em filme que não se sabe se foi filmado. Escreveu várias comédias para a produtora berlinense DECLA, que logo foram filmados por Joe May. Seu primeiro filme como diretor foi Halbblut . Em 1919 recusa a direção de Caligari para filmar a segunda parte do seu filme de aventuras Spinner ( As Aranhas). Seu primeiro trabalho em parceria com a roteirista Thea Von Harbour foi em Das wandernde Bild. Casou-se com a roteirista em 1920, e fizeram juntos todos os filmes seguintes, entre eles Metrópolis, antes de se exilar na França em 1933 por causa da censura nazista. Sua esposa, que era simpatizante do nacional socialismo, fica na Alemanha, e Fritz logo em seguida, parte para Hollywood, nos EUA, trabalhando até para a MGM, a FOX, a Paramount, Columbia, United Artist, Warner, e RKO. Naturalizou-se americano em 1935.

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Em 1956, volta para a Alemanha, onde roda seus últimos filmes, morrendo em Beverly Hills, em 1976.

É uma produção que apesar de ser em preto e branco, mudo, e sem a tecnologias da atual geração, que vale a pena ser apreciada como obra de arte.

Metrópolis é uma obra prima do expressionismo alemão que previa os acontecimentos do século XXI.

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Nota: 3,5 de 5,0.

Continuação de Uma Noite de Crime (2013) tem primeiro trailer divulgado.

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Por Calil Neto

A Universal divulgou o primeiro trailer da continuação de Uma Noite de Crime (2013), The Purge: Anarchy, que estréia nos cinemas americanos em 20 de junho de 2014.

Frank Grillo, Michael K. Williams, Carmen Ejogo, Zach Gilford, Kiele Sanchez, e Keith Stanfield, estrelam o novo thriller que além da Universal envolve as produtoras Blumhouse Production de Jason Blum e a Platinum Dunes de Michael Bay.

A Metade Negra (1993).

A Metade Negra (1993)

Por Calil Neto

Assisti A Metade Negra, que é adaptação da obra homônima, The Dark Half, de Stephen King, dirigida e escrita pelo pai dos zumbis modernos, George A. Romero.

Recapitulando: o filme A Metade Negra foi lançado em 2013 em DVD no Brasil pela coleção MGM Clássicos, juntamente com outro clássico Chamas da Vingança, com a pequena Drew Barrymore, em começo de carreira, após o sucesso de ET – O Extraterrestre, do magnânimo senhor Spielberg.

O livro The Dark Half foi escrito como uma resposta do próprio escritor Stephen King a descoberta pelo público, de que King e seu pseudônimo Richard Bachman eram a mesma pessoa. Outra pessoa que escreveu recentemente como pseudônimo, sem entrar em muitos detalhes, foi J.K.Rowling que assinou como Robert Galbraith, em O Chamado do Cuco.

A Metade Negra, filmado entre 90 e 91,  estreou nos cinemas em 1993, e apresenta em sua narrativa o dia a dia do escritor Thad Beaumont  que tem um tumor na cabeça, e que mata seu pseudônimo, George Stark, realizando até um enterro fictício para ele. O pseudônimo escapa do cemitério onde foi enterrado e parte em busca de vingança.

Pessoas ligadas e envolvidas ao escritor, como editores e família, são perseguidas misteriosamente pelo pseudônimo que deseja que o escritor continue a escrever sob o seu pseudônimo e não o elimine da face literária terrena.

O ator que faz Thad Beaumont e Stark é o mesmo, Timothy Hutton, que trabalhou também em outra adaptação do mestre King, A Janela Secreta (2004). George Romero conseguiu unir o mesmo ator, com dois personagens diferentes, em uma mesma cena, mostrando maestria na direção.

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George Stark passa a ser a outra metade negra de Thad Beaumont, com todos os seus vícios e defeitos. A outra metade que Thad quer eliminar de sua vida.

Em A Metade Negra temos a ilustre presença do ator Michael Rooker que fez o personagem Merle no seriado The Walking Dead, ainda bem novinho, na pele  do policial Alan Pangborn.  

Parceria de sucesso

George A. Romero e Stephen King.
George A. Romero e Stephen King.

Romero e King se uniram também na antologia Creepshow – Show de Horrores, onde Romero dirigiu, e King , escreveu o roteiro, alguns baseados em seus contos. Romero também roteirizou Um Gato do Inferno, baseado em conto de King, da antologia movie Contos da Escuridão (1990), baseado no seriado  de televisão Tales from the Darkside. (1983-88) 

George A. Romero foi indicado como melhor Diretor, e John Vulich e Everett Burrell foram indicados como melhor maquiagem no Saturn Awards. Já Paul Hunt e Nick McCarthy venceram como melhor roteiristas, e  Timothy Hutton venceu como melhor ator no Fantafestival de 1993.

É uma produção mediana, que teve um orçamento modesto de 15 milhões de dólares, com bons diálogos e atmosfera sombria, marca de King, arrecadando um irrelevante valor nas bilheterias, mas que apenas por reunir nomes importantes como King e Romero na mesma produção, se torna um filme digno para  se dar uma espiadinha.

Nota: 3,0 de 5,0.