Review – It: A Coisa (2017).

Por Calil Neto

21 de setembro de 2017. 

It: A Coisa (2017) é a primeira parte de duas da nova adaptação do livro clássico homônimo do escritor norte-americano Stephen King. Em 1990 tivemos a minissérie It: Uma Obra Prima do Medo dirigida por Tommy Lee Wallace de A Hora do Espanto 2 com o astro Tim Curry na pele do antagonista Pennywise. O longa It: A Coisa (2017) é dirigido por Andy Muschietti, que despontou em Holywood com o sucesso de Mama (2013), adaptação de seu elogiado curta de 2008 com produção executiva de nada mais nada menos que o mexicano Guillermo Del Toro. Será que o cara vai se tornar um mestre na arte de dirigir filmes de horror?

Sabe aquele filme que você demora para digerir pela sua tensão e depois de assimilá-lo você vê que é foda!!! Bem no climão dos anos 80. Parece com sua belíssima direção de arte que realmente acontece nos anos 80!!! No roteiro de Gary Dauberman, Cary Fukunaga e Chase Palmer, com Seth Grahame-Smith como um dos produtores temos um grupo de garotos bem na passagem da infância para o começo da adolescência na cidade de Derry que vão enfrentar um palhaço dançarino do mal conhecido por Pennywise, interpretado muito bem pelo jovem ator sueco Bill Skarsgård, que com certeza ficará eternamente lembrado pelos cinéfilos por esse personagem do caos. Que atuação aliada aos efeitos digitais de hoje!!! E quando o palhaço abre a boca e saem aqueles dentes enormes? Fazia tempo que não via uma atuação dessas dentro de um filme do gênero!!! Desbancou muitos antagonistas de filmes de James Wan. Me fez lembrar do ator Heath Ledger na pele do Coringa em Batman: O cavaleiro das Trevas. Mesmo que o filme não seja um filme de horror, mas sim um filme de super-heróis, que sempre será lembrado pelo papel!!!

Esse filme e com certeza a sua seqüência na fase adulta dos personagens deixam o seriado dos anos 90 no chinelo. It: A Coisa bateu o filme clássico O Exorcista de 1973 na bilheteria dos filmes de terror mais assistidos da história. E o filme de William Friedkin já tem mais de 40 anos de seu lançamento!!!

E neste texto que é escrito no dia em que o escritor Stephen King completa 70 anos é mais que um presente de aniversário com It: A Coisa atingindo o ápice nas bilheterias de todos os tempos. É a consagração do mestre do horror norte-americano!!!

E que o filme seja muito premiado!!!

Nota: 4,0 de 5,0.

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Review – A Ilha das Almas Selvagens (1932).

Por Calil Neto

18 de setembro de 2017.

Filme com o ator Bela Lugosi para mim é tudo, mesmo que não seja entre os papéis principais, ou seja em um papel secundário. Mesmo que seja em alguns momentos do longa já vale a experiência. Lugosi ficou reconhecido mundialmente pelo personagem Drácula do ciclo de monstros da Universal, e participou também do primeiro zombie movie da história do cinema, o longa White Zombie na mesma década de 30 do século passado.

A Ilha das Almas Selvagens ( Island of Lost Souls – 1932), dirigido por Erle C. Kenton, é a primeira adaptação do livro clássico A Ilha do Dr. Moreau (1896) de H.G. Wells (1866 – 1946), o mesmo de A Guerra dos Mundos, e com destaque também para o ator Charles Laughton, o interprete do Quasimodo do longa O Corcunda de Notre Dame  de 1939. Atuou também no belíssimo épico Spartacus (1960). Só por curiosidade o próprio escritor H.G.Well não curtiu muito o filme, por não ser totalmente fiel ao livro. Na trama do filme temos um cientista maluco, Dr. Moreau (Charles Laughton) que acha que é um Deus com suas descobertas, e faz as suas loucas experiências criando homens-animais da ilha. Bela Lugosi interpreta o líder desses homens-animais, que lembram muito um lobisomem.

A maquiagem do filme é muito boa. Ótima para os padrões dos anos 30. O talentoso Charles Gemora foi um dos responsáveis pela maquiagem dos personagens.

Pode parecer piada e uma estranha comparação mas conferindo o filme, me lembrei de alguns filmes como o polêmico Monstros ( Freaks – 1932) de Tod Browning, que tem os personagem deformados, que com certeza influenciou o filme de Erle C. Kenton e também me fez lembrar do clássico de Romero A Noite dos Mortos-Vivos, que viria apenas a ser produzido nos anos 60, quando os personagens em grupo passam a perseguir os protagonistas, o mocinho e a mocinha.

Um ótimo filme. Deslumbrante!!!! Um filme que não deixa de mencionar o darwinismo, a evolução das raças.

Nota: 4,0 de 5,0.

Review – Silêncio (2016) .

Por Calil Neto

06 de setembro de 2017.

O diretor norte-americano Martin Scorsese acerta em cheio em alguns momentos de sua carreira e dirige algumas obras-primas, como Silêncio de 2016, estrelado por alguns atores em alta em Hollywood, como Andrew Garfield e Adam Driver juntos com Liam Neeson em um papel mais maduro e diferente da atuação em seus action movies. No século XVII dois jesuítas portugueses, personagens de Andrew e Adam Driver, vão ao Japão atrás do padre mentor vivido por Neeson. No Japão está a Inquisição que vai atrás dos cristãos e padres católicos, e pedem a eles que renunciem a sua religião na apostasia e deixe Jesus de lado, pedindo às vezes a cristãos que pisem em uma imagem de Jesus Cristo.

Belíssimo filme visualmente, com belíssimas localidades com competente direção de arte e fotografia.

A produção teve como base o livro Chinmoku ( O Silêncio , 1966), do escritor católico japonês Shusaku Endo.

Após a morte de Jesus, 33 DC, diversos apóstolos de Jesus, entre os 12, foram mortos de maneira drástica por estarem difundindo os ensinamentos cristãos de Jesus. E não foi diferente após milhares de anos com diversos jesuítas ao redor do mundo. Um lindo filme e enriquecedor!

Um dos mais belos filmes desse século! CAPRICHARAM!

Nota: 4,5 de 5,0.

Review – Corra! (2017).

Por Calil Neto

03 de setembro de 2017. 

Blumhouse Production é uma das produtoras queridinhas de filmes de terror de Hollywood fundada por Jason Blum.  A produtora não deixa de abordar as relações humanas, as relações entre as diversas classes sócio-econômicas e raças (branco e negro), as diferenças entre as pessoas como também nota-se na abordagem da bem sucedida franquia Uma Noite de Crime.  

SPOILER. Se não viu, não leia.

Corra! ( Get Out – 2017), pode parecer contraditório é dirigido e escrito por um negro Jordan Peele, norte-americano, em seu filme de estreia na direção, e mostra um negro Chris Washington (Daniel Kaluuya) que namora uma garota branca Rose (Allison Williams) pertencente à família Armitage que quer visitá-los em sua moradia em uma região interiorana nos Estados Unidos.  A trama se passa entre o final do governo do presidente Barack Obama e o começo do governo Truman. Rose fala para Chris que nada de ruim e preconceituoso pode acontecer com ele, que é negro, pois se fosse possível na eleição passada seu pai votaria pela terceira vez para que Barack Obama fosse eleito pela terceira vez presidente dos Estados Unidos, algo que não pode ocorrer segundo a constituição na política norte-americana. Segundo um crítico de cinema do jornal Los Angeles Times seria o filme de terror sobre racismo que o ex-presidente dos Estados Unidos Barack Obama adoraria ver.

Hipnose também está presente no filme!

No começo da história do cinema americano, os negros não podiam participar de filmes como atores. Usava-se atores brancos pintados com o rosto negro, como no clássico e polêmico O Nascimento de uma Nação de 1915 de D.W. Griffith.

Se não fosse o desfecho no terceiro ato com a vitória dos personagens negros, poderia falar que é um filme racista. Mas não. Jordan Peele nunca escreveria um roteiro difamando e ofendendo a sua raça negra. Um bom filme com uma família, que não sei se ela pertence a alguma seita que tem fixação por pessoas negras. E um personagem branco que é cego que quer enxergar pelos olhos do protagonista, o personagem Chris.

Um bom filme! Um filme que pode se tornar um pequeno clássico da Blumhouse. Tomara que ganhe uma sequência.

Nota: 3,0 de 5,0.